domingo, 11 de setembro de 2016

B(e)

Quero que saibas que eu não te quero foder só porque sim.
Só porque sim não existe: o que existe é uma vontade de estar, de sentir, de viver.
Porque sim, sim. Mas porque não, não?
Não que tenha pretensões de te ter, mas quero devorar-te.
A cada meio sorriso que me lanças, parte de ti morre em mim.
E eu quero-te vivo: vivo o suficiente para que possas morrer mais um bocado.
E é isso que fazes, a cada meio tempo que me dedicas.
Não te peço nada: só quero tudo. E quando digo "só", é mesmo  - só isso.
Quero foder-te. Mas não só porque sim:
Se te dissesse que queria fazer amor contigo, irias questionar-te se te amo.
Mas aí seria estúpido, não?
Não: quero foder-te.
Quero fazer contigo coisas que nem a minha imaginação ousa confessar à minha mente.
Quero sentir-te dentro de mim, não só porque me estarás a foder,
Mas porque as nossas mentes estarão encaixadas.
Quero devorar cada pedaço disso, e ficar com fome.
Quero sentir a tua pele na minha e não esperar pelo beijo;
Quero olhar-te e sorrir: não porque me estas a dar prazer, mas porque serás um idiota se não o fizeres.
Não, não te amo,
Tampouco me creio apaixonada por ti.
Mas amo quando nos fodemos,
Quando nos permitimos a amar sem amor,
Quando isso se torna tão simples na sua inexistência que se torna real a cada toque, a cada cheiro, a cada som...
Não, quero mesmo foder-te.
A ti, todo a ti, e a cada parte de ti.
Mas principalmente, quero foder-te a mente.
Quero penetrar nessas ideias,
Fazer gemer esses pensamentos,
Violar cada desejo, cada emoção, cada traço de inocência escondida.
Oh o orgasmo desesperado de quem está há tanto tempo à espera!
Não quero que te entregues, mas preciso que te deixes levar.
Não quero que me queiras sempre, mas preciso que me queiras de vez em quando.
Não quero que me fujas, mas preciso que nem sempre estejas aqui.
Oh mente irresoluta!
Quero-te por inteiro,
Mas feito em pedaços.
Quero desejar-te tanto, quanto desejo a ideia de te querer.
Quero-te bom quando és muito bom,
E quero-te ainda melhor quando és mau.
E não te quero já:
Quero ir-te querendo.
Hoje, amanhã, depois de amanhã
Quero que o inicio seja o fim e o fim o inicio.
Credo, soa-te tão estranho quanto me parece?
Ainda bem, porque quero-te estranho, normal, mau, bom, em pedaços e por inteiro.

Mas não agora. Não hoje, não amanhã, não depois de amanhã: quero foder-te quando não quiseres, e mais um pouco quando me pedires.

A puta da santa!

Não: promete-me que me fodes, que me violas com amor, aquele - pois!- que não existe,
Mas que queres, sem quereres.

Pensas que não te vejo?
Que não te sei?
Que não te conheço a alma?

Então porque raio pensas que te quero foder?!?

Quero que saibas que sei.
E claro, quero que saibas que sim, que irei sem ti, ter contigo.

Por tudo isto e mais um par de botas,
Porra, sim, quero fazer amor contigo!

2016



sábado, 3 de setembro de 2016

Unravel










Fodasse.
Bem sei que não é a maneira mais poética de expressar algo, mas ...
Fodasse.
Vou dizer-te que não.
Vou dizer-te que estou demasiado magoada, que as coisas não são tão simples assim.
Vou dizer-te que não posso, que não quero, que não consigo.
E não penses que te estou a mentir, porque não estou.
Fodasse, estou a mentir-me a mim mesma, isso sim!
Não me leves a peito: és apenas mais uma saída de emergência da minha vida.
Tenho de fugir ou irei morrer.
Não que me mates, não, desculpa.
Mas porque não consigo sobreviver a ser metade de mim nem a ter metade de ti.
Quero ser eu por inteiro, quero-te por inteiro.
Não tenho plano a prestações, desculpa.
Fodasse.
Tão pouco tempo, e tanto para dizer que não se diz.
É engraçado como a vida acontece: não te pedi, mas apareceste.
Agora que queria que ficasses, tens de ir embora.
Desculpa.
Fodasse.
Quando me deixo levar pelos "Tenho saudades tuas" que não terminam contigo ao meu lado,
Sei que me fodi.
Não penses que quero isto!
Se durar mais tempo, acho que até um terço de ti aceito.
Mas não. Não posso.
Mereço mais, preciso de mais.
Não acredito em finais felizes, mas acredito em felizes no final.
É um facto que te quero, que nos quero. 
Mas vou dizer-te que não.
Vou dizer-te que não consigo ser mais do mesmo,
Vou dizer-te que somos pessoas diferentes,
Vou dizer-te que não posso.
E vou pedir desculpa.
Vou fingir que não me importo, que não me doí, que não faz mal.
Vou fingir que acredito que te vou esquecer, que nunca me serás mais que isto.
Vou fingir até que não choro, que não me arrependo, que não me incomoda.

Vou dizer-te adeus e vou sorrir,
Enquanto sinto mais um pedaço de mim morrer.

Fodasse.

2016



sexta-feira, 26 de agosto de 2016

私はあなたを幸せにしたいです



Quero que saibas que a culpa não é tua.
As coisas acontecem sem data de produção e muito menos de validade.
E quando acontecem, quando as sentimos bater no fundo,
Sabemos que algumas não são bonitas, não cheiram bem, não sabem bem:
São feias como a merda e cheiram a isso mesmo.
Tu aconteceste - ainda estou demasiado assustada para saber que tipo és.
Mas a dúvida já cá está, dentro de mim.
A eterna dúvida, a puta da dúvida, que não vai embora, mesmo quando lhe tento dar o pontapé no cu que foi conhecer-te.
E eu olho para ti, e revejo-me.
No olhar, no toque, no movimento, no beijo, no sabor...
Revejo-me e assusto-me mais um bocadinho.
A minha cabeça gira, e eu nem bêbeda estou.
(E Deus sabe como gostaria de estar!)
E escondo-me,
Num quarto escuro do meu coração,
Enquanto a minha mente grita por mim e me tenta encontrar,
Num jogo de "esconde-esconde" sem fim.
Tão perto e tão longe,
Tão quente e tão frio...
E olho-te, mais uma vez, com a minha memória afiada de pessoa que já pouco mais tem a lembrar.
Fixo o teu sorriso e penso como seria não o ver mais:
Seres apenas mais uma das minhas lembranças de sorrisos bonitos que pouco mais me deram
Que uma nova camada de frieza e uma ponta de mágoa.
E é aí que sei que te quero.
E é aí que sei que quero sentir-te ao meu lado, quero deitar a minha cabeça no teu peito,
Sentir a tua vida no constante som de "baque".
Quero fazer parte desse som, 
Quero beijar-te, quero ser tua, mesmo que por um minuto, mesmo que por um segundo.
Quero ser, simplesmente, ser.
Sem merdas, sem capas, sem nada, a não ser a vontade de querer.
Quero ouvir o "bip",
Ler a mensagem,
Abrir-te a porta e deixar-te entrar.
Quero que a puta da dúvida se foda!
Quero ser, sem saber o que ser.
Quero sentir, sem saber o que sentir,

Quero apenas saber que te quero,
E que isso nos seja suficiente.

2016

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Animus Rem Sibi Habendi

Naquele momento, pensei em possuir-te.
Quis entrar dentro de ti, como nunca ninguém entrou,
Desmantelar-te, pedaço por pedaço, e voltar a montar-te, só para te eviscerar de novo.
Quis violentar cada pensamento teu,
Penetrar em cada emoção, em cada sorriso, em cada olhar.
Quis destruir qualquer medo, Possuir-te por completo.
Quis-te.
Devagar, como quem começa uma dança a medo,
E que vai acelerando, ardendo num desejo de proximidade,
De unicidade, de canibalismo verbal, Pleonasmo do prazer.
Quis-te.
Porra, nem as palavras que me diriges
Tenho a pretensão de serem minhas, não.
Mas naquele momento, Eu quis.
Aquela vontade louca de me encontrar dentro de ti,
De devorar o teu calor, De me sentir tua.
Quis desaparecer em ti,
Quis arrancar à paixão o sexo,
E ao sexo a paixão.
Não que geralmente te ame, não:
Amo-te unicamente quando te possuo.
Em bela verdade, amo possuir-te.
Apaixono-me por ti frequentemente, lentamente, sem pressa…
E desapaixono-me violentamente, numa explosão carnal, numa confissão improvisada,
De um amor inexistente.
E naquele momento…
Apaixonei-me mais uma vez.
E desapaixonei-me de novo.

Até ao momento seguinte.
2016



domingo, 11 de outubro de 2015

Ah, palavras!



Façam com as palavras aquilo que quiserem, desfaçam-nas:
Deformem-nas, desmanchem-nas, desfigurem-nas!
Expulsem-nas de si (mas não de nós),
Exorcizem qualquer importância que lhes dão!
Deixem-nas saber como é estar partido, sem sentido, sem significado (Ah, essa dor que nos corrói)!
Esmaguem-nas, cortem-nas aos pedaços, amassem-nas!
Nada magoa mais do que palavras,
Como aquelas que nunca saem da nossa mente,
Especialmente aquelas que (não?) saem da boca dos outros!
Mas não as calem: aterrorizem-nas, torturem-nas, sim!
Mas não as calem (a ausência de palavras é um ataque à imortalidade)!
Não as privem de nós, não nos privem delas.
O que seríamos nós sem dor, mágoa ou crueldade?
O que seríamos nós sem amor, compaixão e humanidade?
Quebrem-nas sim, deixem-nas incapacitadas, mostrem-lhes como doí ser humano!
Como dói usá-las e ser usado por elas!
Mas não as matem não…
Porque sem palavras, nada somos, nada é, nada pode ser (somos livres sendo prisioneiros).
Desfaçam as palavras, façam-nas em pedacinhos, deixem-nas pequenas, sim!
Deixem-nas ser humanas por uns momentos!

 2015

[Campeonato Nacional de Poesia - Jornada VIII]

   [Avaliado com 39 pontos em 45 possíveis]


Espelho meu, quem será mais Pessoa do que eu?





Perco-me na criatividade inerente ao pensamento,
Sinestesia momentânea da imaginação vigente,
Contemplando a inércia que me ocorre,
E a pessoa que enxergo.
(Santa, meretriz, escrava, modesta, ignorante, inteligente, arrogante)
Acercam-me metáforas,
Impingem-me memórias,
Vendo alma aos pedaços,
Conservo o corpo por inteiro.
(Entre a alma e o corpo: conservação do momento linear)
Perco a fala,
Rio-me de mim,
Por mim,
Comigo.
(Rio-me para não chorar)
Abarco-me de vitórias,
Refresco-me em crenças,
Embebedo-me em elogios,
Ressaco nos desafios.
(Vejo-me imperatriz num império sem destino)


2015

[Campeonato Nacional de Poesia - Jornada VII]
  
[Avaliado com 41 pontos em 45 possíveis]